joguei pro mundo outro filho. desses que a gente vai parindo sem saber que nome dar. joguei pro mundo porque, hoje, ficar só com o lado ruim do anonimato é um pouco burro: dar a cara a tapa e receber no máximo uma chochada por escrito é um dos maiores privilégios de ser contemporâneo.
este novo produto da minha linha de montagem só existe por influência direta de uma certa piaçava baiana, mais conhecida como mário betão. desde pirralho que nutro interesse nessas conversas de poesia com música, uma abastecendo a outra de sentido, embaralhando as formas que os virtuoses adoram engessar e se transformando, juntas, numa coisa nova, em que o que vale é o conceito. aquilo que todo filho bastardo da mpb setentista (sendo antes fã de letra que de música) curte, mesmo sem saber muito bem o porquê.
a falta de talento e a exigência de que as coisas saiam razoavelmente perfeitas já me fizeram desistir de qualquer produção a sério nesse ramo há muito tempo. mas há uma meia-dúzia de amores no meu currículo contra quem já investi esses resíduos de lirismo... e, antes de tomar coragem para publicar sussurros novos em folha, resolvi colocar esse arquivo sentimental no ventilador, como um retrato para além dos meus feitos íntimos: são registros imodestos de um outro tipo de amor - exatamente aquele que me liga às palavras.
dei ao novo filho o nome de [bagatela] por uma série de motivos óbvios, como, por exemplo, o despropósito de um podcast num mundo que precisa de medidas sérias e urgentes. mas também dei esse nome por conta daquela canção que diz “será que a gente é louca ou lúcida quando quer que tudo vire música?”. você, leitor que não existe, pode perder seu tempo e conferir o que exatamente quero dizer com isso aqui.
8.8.06
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Um comentário:
só alegrias, só alegrias
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