
. hana-bi (fogos de artifício) . um filme de takeshi kitano . 1997 .
eu nunca contei pra ninguém que este blog se chama fogo-de-artifício por conceito, e não por luxo pirotécnico. quem me revelou a natureza subjetiva deste tipo de explosivo foi takeshi kitano, o japonês mais sofisticado dos últimos tempos.
segundo a mais recente edição do dicionário houaiss da língua portuguesa, fogo de artifício tanto é um dispositivo cuja combustão provoca luz e cor, como também uma forma elaborada de engano: é uma definição pra tudo aquilo que tem mais efeito do que substância. em hana-bi, o filme pro qual este blog paga tributo, toda a escala de valores kantiana-cristã que encarcera a vida social parece tropeçar num erro de programação primário. simplesmente porque, para takeshi kitano, a brutalidade é um indício tão humano quanto a delicadeza.
este blog homenageia um filme que é um balé bárbaro e ao mesmo tempo sutil, de humor súbito, frio e infalível como o melhor sushi. o próprio kitano interpreta nishi, um policial às voltas com um mundo que se desmorona a cada instante e para o qual propõe um plano de redenção. como eu não escrevo pr´o globo, não vou perder tempo contando a história. como também não escrevo pra contracampo, não vou perder tempo dissecando a psique dos personagens.
dentro da obra de kitano (que inclui torpedos como dolls, sonatine e brother), hana-bi situa-se como uma pedagogia, um privilégio e um aval. é um elogio às coisas belas, a tudo o que não se fia na eternidade, mas nos lapsos capazes de mudar a lente com que se enxerga o que está em volta. é um filme de brechas por onde se veja a luz.
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uma vez escrevi um ensaio sobre este filme que começava exatamente assim:
não é de muito se estranhar que o "the boston phoenix" tenha publicado quando do lançamento mundial de sonatine: "esqueçam quentin tarantino, aqui está takeshi kitano". à retina ainda tonta da crítica, a crueza do estilo do japonês fazia com que a estilização da crueza operada pelo americano estivesse mais próxima do chiste que do choque.
você, leitor que não existe, tem aí a minha dica pro seu fim-de-semana. marca touca, não.
2 comentários:
e pensar que tu inventou tudo isso no correio de teresópolis.
MANDEI MENSAGEM.
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