27.3.07

don't [let] me be misunderstood

o amor é uma mistura de corpos que pode ser representada por um coração atravessado por uma flecha, por uma união de almas etc; mas a declaração "eu te amo" expressa um atributo não-corpóreo dos corpos, tanto do amante quanto do amado. "eu te amo" é um marcador de poder, mesmo no caso de um amor infeliz.

gilles deleuze e félix guattari em "mil platôs - capitalismo e esquizofrenia" . paris, 1980 .

. . . . .

então eu entrei de cabeça nessa onda de descobrir poesia na filosofia da linguagem. é uma água nova e meio turva, mas não me assusta. conheço a arte de extrair faísca das britas e leite das pedras. é de buscar poesia que se vive [não é, menina], de procurar delicadeza no mundo dos brutos, de apresentar uma saída que não é o grito, nem o choque, nem o corpo. uma flecha que é mera sugestão.

viver de dedução, é assim que eu vivo [não é, menina], à espreita dos fatos, à beira dos atos, como se tudo estivesse suspenso só pra assistir à dança fora de moda que eu te propus, um segundo em que tudo parasse de rodar pra acompanhar o movimento mínimo da vontade, uma pausa para o encanto que não coube na tua agenda.

e eu, presa dos meus vícios, vítima do discurso, me embrulhando num papel todo novo pra te dar, eu te vi ter pressa, essa pressa sem direção que chamamos de curiosidade, essa necessidade infantil e tão natural de saber o que o mundo tem a oferecer. eu vi o teu futuro na minha frente e vi meus braços serem pouca rédea pros teus músculos sadios e sem questão.

eu vi como há muito tempo não via a poesia sorrir pra mim. sorri de volta, corri com meu cavalinho pra chuva e achei que assumir o risco era menos ridículo do que de fato é. eu vi métrica no teu texto, vi semiótica nos teus códigos, vi um encontro onde você viu exercício de estilo.

é de perder ilusões que se vive, menina, de olhar para as evidências sem entrelinhas, nem óculos escuros. eu vou aprendendo com o tempo tudo o que você já sabe de cor.

7 comentários:

Anônimo disse...

extrai, pequeli, o negócio é esse mesmo. vai extraindo.

Anônimo disse...

Quando eu crescer, quero me desiludir bonito assim! Abs

Tamara Eleutério disse...

tu tem uns olhos tranquilos, lasca. é doce.
daqui me vejo no sumido do teu espelho.

Fatiminha disse...

Nosaaaaaa....há tempo eu não lia algo que me fizesse suspirar...rolou...

Anônimo disse...

Querido amigo Leandro,

É com muita honra que comunicamos mesmo que atrasados, nossa admiração pelo seu blog, espaço muito bacana, no qual já bebemos muito da boa música. O musicoteca ( www.musicoteca.blogspot.com ) comunica que já consta em nossa lista de links no blog o endereço do Bagatela e gostaríamos da sua licença para que possamos continuar a dissolver a música de qualidade na rede, o que já fazemos com muito gosto. O musicoteca é um blog com diferencial para os novos músicos da cena brasileira e que oferecem qualidade para nossos ouvidos. Os álbuns publicados são aprovados ou não pelo blog, acompanhados de crítica e informações sobre o grupo ou artista. Prezamos ainda pela organização e leveza de um espaço onde nossos leitores possam se sentir a vontade durante mais tempo enquanto navegam na web. Ainda disponibilizamos outros serviços como lounge e bate-papo para nossos leitores, para aproximá-los cada vez mais dentro de um só interesse; A Boa Música!

Sucesso ao amigo Leandro
Blog Musicoteca!

Anônimo disse...

dalentinha:

coisa liiiiiinda!!!!!!!

Natália Bogarim disse...

não canso de ler.