a chuva que surpreendeu na noite de sexta-feira só animou a turma que foi à reabertura do espaço cultural sérgio porto. a poetisa alice sant’anna recitava 'de-lembrares' em frente à bandeira do brasil tingida de preto, obra de julia csekö. aos 20 anos, alice era destaque entre os poetas do cep com seu estilo 'seco e moderno', definido por chacal, organizador do evento. 'é como um diário, falo do dia a dia, sobre andar de ônibus e ver o mundo da janela. mas sou o contrário da performance, sou dura, não tenho nada de atriz', explicava. 'poeta com performance é um saco e aqueles caras que vendem poesia a um real também, traumatizam as pessoas'.
o globo, 14 de julho de 2008
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em um território selvagem como a internet, onde se costuma gritar para ser visto, sua poesia sussurra, fugindo de truques vazios ou efeitos apelativos de linguagem. o verso introspecivo, doce e intimista, dialoga com as durezas do fluxo urbano, essa estranha e acelerada respiração. há diversas estradas na obra de alice. e caminhos a percorrer. alice é uma poeta em formação.
jornal do brasil, 21 de julho de 2008
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no sábado, alice me contou que de-lembrares foi mesmo escrito em 2004. há quatro anos atrás ela estava na nova zelândia, tinha virado a última página de manuelzão e miguilim e se deixou levar pelas matutices da memória que só existe longe, lá em mutum. daí resolveu escrever um apanhado de linhas que deixam a gente com os olhos rasos d'água, pedindo que aquilo não acabe nunca. mas acaba.
acaba porque o ponto final é sua arma secreta: assim como lulu santos, alice sabe que há muita vida lá fora. sua poesia fala de cenas, lugares e sentimentos que eu e você conhecemos, mas, embaralhados na performance, esquecemos de acessar. e então perdemos o que importa, a luz recortando o perfil de quem se ama no mesmo fim de tarde em que um menino desvia do pai pra abraçar o vendedor de algodão-doce à saída do colégio.
alice dá aos episódios a improvável chance de significarem alguma coisa. e como se não percebesse o tamanho da dobradura que tem feito, vai crescendo pra nos lembrar que o mundo fica mais bonito sem tanto artifício.
24.7.08
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7 comentários:
Como diria o velho Gabo...
"O que acontece — suspirou — é que o mundo vai se acabando pouco a pouco e
essas coisas já não vêm."
Gostei do espaço! um abraço!
http://alemdovento.blogspot.com
Minha completa alienação do mundo virtual entrega mais a minha idade que esses fios de cabelo branco que cismam em aparecer no topo da minha cabeça. Que coisa linda os textos dessa menina! Obrigada por me atualizar, Li!
"alice dá aos episódios a improvável chance de significarem alguma coisa".
na mosca, garoto-maravilhoso. na mos-ca.
ah, é o Ismar. esqueci de assinar ali em cima.
mas é claro, sr. lascado!
aliás, por favor!
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