7.9.08

como se esbarrar nas coisas fosse não desconsiderá-las em sua situação de lugar, mas sim poder dar a elas novas conotações de espaço, tempo e sentido; ou: como se esbarrar nas coisas fosse interpretar os estímulos de luz na membrana ocular sob um código independente da mecânica organicista, ela esbarra nas coisas pelo que não está nelas, mas ali, bem perto. ergue um balé de desastres e descobre realidades escondidas entre o número um e o número dois ou nas infinitas capacidades do número oito. então, estar a seu lado é imediatamente querer também esbarrar nas coisas e procurar aquilo que não se sabe muito bem o que é, que não se imagina onde esteja, mas insiste em existir. ela esbarra nas coisas como se desenhasse um mapa feito sem margens.

. . . . .

pra joana, que esbarrou em muita coisa desde então, menos nessa bobagem que lhe fiz. rio, 8 de janeiro de 2004.

4 comentários:

Anônimo disse...

Gostei muito da sua estética.

Anônimo disse...

Continuo a pensar
que quando tudo parece sem saída,
sempre se pode cantar.
Por essa razão, escrevo.
(Caio F.)

a véia de baixo da cama disse...

- Esbarra, joana...

Priscila Milanez disse...

Lindo, lindo. Gosto da forma como 'tira' as coisas do lugar. Gosto da dinâmica do texto que nos leva a esbarrar nas letras como quem esbarra nas coisas com a moça... Gostei mesmo, muito.

bjos